Skinner media comportamento acumulando respostas no tempo: a pena sobe e não volta, e a inclinação conta a história. Este é o mesmo gráfico aplicado a quem passou 25 anos ensinando o método — levantado do próprio acervo, arquivo por arquivo, e conferido na carteira de trabalho.
Treze anos antes da carreira começar oficialmente, e treze anos de idade. A escola Luís de Camões tinha sete computadores TK-85 e um aluno que sabia mexer neles. Durante dois meses, ele deu aula de BASIC para uma turma de sete pessoas — uma máquina para cada, o que em 1988 era luxo raro.
Não existe nenhum arquivo disso. É a única parte desta página que não veio de um disco — veio da memória, e por isso está aqui no começo, fora da contagem. Vale registrar mesmo assim: a primeira coisa que este professor ensinou foi programação, e quem aprendeu foram as sete pessoas, não as sete máquinas. Trinta e oito anos depois, é a isso que ele voltou — escrever um programa para que outros tenham o que experimentar.
Quase sempre em mais de um lugar ao mesmo tempo. As barras se sobrepõem porque a vida acadêmica se sobrepõe: graduação de dia, pós à noite, curso no fim de semana. E atravessando quase tudo, a barra mais longa da página: o consultório particular, aberto em 2006 e nunca interrompido — vinte anos de clínica, inclusive nos anos em que a produção de aula despencou.
O material mais antigo do acervo é de 2001, do Laboratório de Psicologia Experimental II, no Centro Universitário Santo André. Não há um slide sequer: era a era do Word, e aula se preparava escrevendo. Estes são, literalmente, os primeiros arquivos:
Controle de estímulos, comportamento verbal, variabilidade. Vinte e cinco anos depois, os três continuam no repertório — e dois deles estão entre os dez temas mais frequentes de todo o acervo.
Duas curvas, porque houve duas eras. Por onze anos o material de aula foi texto: prova, cronograma, roteiro, diário. O PowerPoint só chega em 2012 — e quando chega, chega de uma vez.
| Tema | 1ª vez | Arquivos | Trajetória |
|---|
Psicologia Experimental no Centro Universitário Santo André, de 7 de agosto de 2001 a 20 de dezembro de 2002. Rato, caixa de Skinner, folha de registro CRF-FR, questões sobre Sidman. O ensino é de bancada e o registro é em papel.
Depois de um semestre sem dar aula, a Universidade São Francisco, de agosto de 2003 a fevereiro de 2004 — laboratório, análise aplicada, seminários de pesquisa e terapia ocupacional, tudo em um semestre. Na mesma semana da saída, a entrada na Uninove, onde ficaria sete anos. O acervo se abre para fora do laboratório: recursos humanos, fisioterapia, metodologia, ética.
A entrada na PUC-SP em fevereiro de 2011 abre o período mais produtivo de todos. Em 2012 saltam 163 apresentações e 5.291 slides num único ano — mais slides do que nos onze anos anteriores somados. Em 2013 começam as aulas na pós-graduação do CETCC, em paralelo com a graduação: dois públicos ao mesmo tempo, material em duas versões.
A curva quase para, e não é falta de vínculo: a PUC seguia ativa, e em março de 2019 entrou o SENAC por cima dela, num cargo que não era de professor — atendimento a alunos, funcionários e docentes. De aula, só uma oficina sobre comportamento de estudar. A saída da PUC é de abril de 2021, depois de dez anos e dois meses, o vínculo mais longo da carreira. Só o CETCC atravessa esses quatro anos sem interrupção.
A entrada na UNIP em fevereiro de 2022 recupera o volume de uma vez: 277 arquivos no primeiro ano. No CETCC, os cursos deixam de se organizar por princípio e passam a se organizar por quadro — ansiedade, depressão, bipolaridade na TCC. E surge “Integrando 1ª e 2ª geração”: as tradições deixam de ser ensinadas em separado. O contrato com a UNIP se encerra em dezembro de 2025; em 2026 o ensino continua pelo CETCC, e o resto do tempo vai para o código.
Nos primeiros anos de PUC abre-se uma frente que não é aula nem software. A
pasta autismo tem 314 arquivos, e o formato mais
comum não é slide nem texto: são 117 arquivos de vídeo —
gravação de sessão. Ao lado deles, os instrumentos do ofício aplicado:
Lovaas, PECS, VB-MAPP,
avaliação de reforçadores, folha de registro de programas.
As subpastas dizem onde isso acontecia: AMA, APAE de Mongaguá, JAC Bauru, e uma pasta chamada 2015 — clínica puc. O volume acompanha o período: 38 arquivos em 2011, 55 em 2012, e o pico de 81 em 2014. Depois de 2016, praticamente para.
É o contraponto exato da linha dourada. Enquanto o software tentava tirar o organismo da sala de aula, esta frente ia até ele — criança por criança, programa por programa, com a câmera ligada.
A primeira aula, em agosto de 2001, foi num laboratório de psicologia experimental: caixa de Skinner, rato, folha de registro preenchida à mão. É o método que só se ensina mostrando — e que sempre esbarrou no custo, no biotério, no comitê de ética, no aluno que tem três horas por semana.
A solução começou quase junto com a carreira. Ainda na virada da UniA para a USF, o professor desenhou a análise do comportamento de um software que substituísse o rato, e o pai dele escreveu o código, em Visual Basic. Chamava-se Animais. A pasta guarda o desenvolvimento ano a ano:
Em fevereiro de 2015 a pasta se enche de outra coisa: contrato.docx,
Cadastro Pessoa Jurídica — software Animais para o curso de Psicologia,
Manual do usuário. O Animais foi vendido em Belo Horizonte
para a UNA e a UniBH, que o usaram por cerca
de quatro semestres. As subpastas guardam os nomes disso:
Una — em uso, UNIBH, Versão 223.
O código para em 2016. Em 2017 o pai morreu, e o software foi descontinuado. Na linha do tempo, é a única barra que termina numa data seca.
Em 2026 o professor voltou a escrever — desta vez o código também é dele. O OperantLab não é um projeto novo: é o mesmo de 2001, retomado depois de nove anos parado. A mesma aula, o mesmo problema, o mesmo rato que não precisa existir. E, de algum modo, também é a aula de BASIC de 1988.
No registro cumulativo, a pena não para. Ela troca de mão.
Reforçamento e punição aparece em 304 arquivos, em todos os cinco períodos, sem uma única lacuna. Depois vêm cultura e sociedade (234) e aversivo, esquiva e coerção (230). Se alguém perguntasse o que este professor ensina, a resposta estatística seria: as consequências do comportamento, e o que a cultura faz com elas.
Mas a leitura mais interessante é a dos temas que chegaram. Terceira onda — ACT, DBT, FAP — aparece pela primeira vez em 2003, quando quase ninguém no Brasil ensinava isso. TCC e cognição só aparece em 2010, tarde para quem hoje dá curso de TCC — e é justamente o tema que mais cresce nos últimos cinco anos. Ele chegou à terceira onda antes de chegar à segunda.
Varredura de Aulas, CETCC, das pastas de PUC-SP
espalhadas no Drive e de recuperado/São Francisco, um backup
resgatado com o material da USF: 3.380 arquivos .doc,
.docx, .ppt e .pptx. O conteúdo foi
lido nos 566 .pptx; nos demais, o tema vem do nome do arquivo e
da pasta. O ano vem, em ordem de confiança: da pasta (1.690 casos), do nome
do arquivo (408) ou da data de modificação (1.282).